sábado, 6 de outubro de 2007

Tessitura poética


Meandros sociais


Anéis abertos
em tramas,
e dramas:
eis o teor
e a cura da multiplicidade.

A malta escancarada,
afecto da
singularidade paradoxal,
e cerrada.

Subserviente,
nunca arborescente,
assim é
a unidade latente,
em linhas de fuga
avessas ao múltiplo que suga.

Engodo existencial,
rizoma jamais terminal;
a unicidade
nas tramas do pano social,
plano às vezes terminal;
e no reverso,
o cenário do drama
de toda adulação,
e do engano.

Estrato singular fugidio,
à subserviência arredio;
crença na fuga presente
e termo nas normas
do múltiplo inclemente:
microfascismo latente
no sabor amargo
do extrato social.

domingo, 23 de setembro de 2007

Tessitura poética


Temerários versos

No vazio
da folha em branco,
o compasso inquietante
da longa espera.

Na lentidão paradoxal
da alucinada prece
tomba o ânimo.
É o desânimo
que avilta a existência.

Lento o fluir da vida
que escoa,
e vai.
No vazio, o sem fim
da alma em pranto.

No compasso aviltante,
ainda o vazio da folha em branco.
A lentidão,
a prece,
e a vida que escoa...
E vai,
e esmaece,
e tudo, tudo fenece.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Tessitura poética

Mil anos

Mil anos são poucos,
Para todas as estrelas que há no mar.
Ou o mar não reflete o quase eterno
Brilho cósmico de todas as estrelas?

Assim são mil anos: nada,
Se contadas todas as eras,
Como nada é a eternidade
Para todos os nossos desejos.

Estes são, da alma, lampejos
Fugazes, intermitentes,
Como fugazes e intermitentes são
Todos os lampejos das estrelas.

E as estrelas do mar
Trazem na efemeridade da sua existência
O espelho da efemeridade
Dos nossos reais desejos.

E mil anos são os nossos desejos,
Quando os nossos fugazes anos
Não são mais que rápidos lampejos.
Assim são mil anos: nada!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Tessitura poética


Mulher momento...

Quem és tu,
Rubra estrela?!

Vestida carmim,
passas, fugaz:
no firmamento da minha existência,
o teu andar...
lento,
ondulante,
sensual.

No olhar oblíquo,
o breve convite que se desfaz,
e mergulhas no infinito do tempo.

Deixas o rastro de incertezas,
turbilhão de pulsares sangüíneos...
luzeiros no pensamento.

E aparentas, ser,
simplesmente...
uma linda mulher!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Tessitura poética

Apelos ao vento

A Razão!
Será ela desventura,
ou até mesmo loucura?
Será ela a nos tornar
andantes no tempo
em quase desespero,
a buscar,
no cascalho das horas,
mitológicas gemas
pretendidas preciosas
à singular vivência?

Busca torturante,
até mesmo insana.
Paixão, ou psico fissura:
dicotomia feita em urdidura,
ou engodo delirante.

Incorpóreos:
seremos nós etéreos seres,
metamorfoses,

a sorver
com sofreguidão
todas as migalhas
rarefeitas e luminosas
de posterior existência?

São tantas as perguntas,
miseráveis as respostas.

E paira na atmosfera
densa dos nossos dias,
outra pergunta que não se cala:
nesses caminhos
que os percorrem as almas,
haverá, um dia,
um sítio que lhes dê alento e agasalho?

Que respostas teremos
a tantos pedidos,
se são respostas que esperamos,
a estes cantos que cantam
nossos entes vitais doridos.

Se respostas há,
são elas perdidas.
Somos falidos,
consoante ao que se nos dá

a tudo que desejamos.

sábado, 7 de julho de 2007

HaiKai


Estrela cadente?
É o cair da flor do ipê.
Nasce a semente.