quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tessitura poética

Flashback


Complementaridade temporal,
alusão causal do presente,
e busca inequívoca de tudo que passou.

Fábrica de memórias,
o presente foi,
em todos os instantes,
o futuro constituído em por vir;
e fadado é tornar-se
passado travestido
das lembranças que temos.

Flash reminiscente,
reiterado e mutante,
germinado no mais cruel desdobre abundante.
feito para que não sobre:
lampejo presente,
bifurcado estoque é do futuro,
e passado circundante.

E lembramos,
e reiteramos,
e ratificamos erros e acertos espiralantes.

sábado, 9 de maio de 2009

Tessitura poética

Vacilos


Simples é a vida,
de coisas ordinárias é soma,
e regularidade aviltada
em rizoma.

Na vida,
tudo é cotidiano,
e tudo se perde
na orgia do pensamento.

Há esperanças de alento,
mercê do Eterno portento:
e complicamos,
e mudamos,
e vivemos.

Simples é a vida:
reveladas somas
a cada instante
no viver espiralante.

Ou, claudicante!?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Tessitura poética

Ai. Que dor!


Quisera ser apenas pueril,
e simplesmente;
tão somente criar rimas verbais
que falassem só de amor.

Mas, o quê; nem sei porquê:
talvez por destino vil
à mercê de centelhas cerebrais,
desprezo a rima, e faço loas à dor.

Talvez, de cotovelo,
em verso retorcido e ardiloso,
e não há aí nenhum zelo,
o que me deixa desgostoso.

Quisera falar só de amor:
e sobe cá um teimoso calor
ao qual dou imenso valor,
mas, por não ser pueril, lá vem a dor.

No que posso, e desejo,
dos neurônios roubo algum lampejo
e crio do amor alguma rima,
desde que não me deprima.

Ai, que dor!

domingo, 26 de abril de 2009

Tessitura poética

Maria...


Não há respostas,
sequer reação.
Os olhos da angústia,
cansados,
perdidos em pensamentos,
fitam a prenhes vadia
e vislumbram o parto
dolorido da miséria.

Não há respostas,
sequer reação.
Os mesmos olhos que fitam
no silêncio
da perdida reflexão,
vertem lágrimas tardias,
solitárias no abandono
sofrido da miséria.

Não há respostas,
sequer há reação.
Suspirante,
azo à resignação,
deita-se no duro chão,
cobre-se com os trapos da aflição,
e mergulha no sono
sem sonhos da miséria.

Seu nome: Maria Quitéria.

domingo, 19 de abril de 2009

Tessitura poética

Anima Mea


A Alma é força presente
avessa à ação
e pivô de toda sazão.

É alegoria da criação,
travestida em dobras,
e desdobras.

No fim,
perdição
entre o eterno e o instante.

Por si só bastante,
é pobre dependente
da carne que se avilta aos vermes.

Nela, na alma,
tudo e nada.
concerne.

No entanto, viver o atesta:
a Alma do mortal racional
é tudo o que resta.

sábado, 4 de abril de 2009

Tessitura poética

Nudeza Temporal


Tudo o que conta é o tempo.
Além dele nada há.

Os segundos todos,
pobremente contados
em estriamentos locais,
nada mais são
que os fiapos
frágeis dos panos
que se abrem,
e se fecham,
no fugaz acontecer
das existências todas.

Há os lampejos,
mortais centelhas
na ribalta das almas
acontecidas,
reveladas
no despudor das carnes.

E o que conta,
de tudo,
é o tempo:
eterno,
e também fugaz.