sexta-feira, 5 de março de 2010

Tessitura poética

Oposições


Deus!

Pode

o frágil peito

resistir ao turbilhão,

cósmico talvez,

que é a perene busca pelo amor?


À alma e corpo,

dicotomia de existência efêmera,

talvez,

engastada no frágil existir,

cabe procurar pelo sonho,

talvez impossível,

do encontro do amor duradouro,

eterno por desejo,

se ele parece existir

sempre além do devir,

tão distante está.


Resta o canto poético,

ao poeta, talvez,

como desesperado sinal fosse,

que clama por respostas que tanto tardam a chegar.


Belos cantos que se consomem

nas distâncias infinitas das buscas

feitas de desencontros.

terça-feira, 2 de março de 2010

Tessitura poética

Vida Rizoma


Assim é a vida:

incerta como o rizoma.


Nunca se é árvore,

previsível,

até mesmo no balançar

dos ramos

sob a fúria das tormentas,

ou na rotina torturante

da singular existência.


Antes,

se é o mais belo dos apelos

ao rizoma das perenes metamorfoses.

Estas,

sim,

tecelãs de todos os fios

sedosos das teias de todos os amores,

dos eternos todos amores,

no revelado existir das existências todas,

se assim se é.


Que a nada tolda,

Pois que o rizoma não se tolda.


Travestis,

é o que se é,

na multiplicidade de tudo o que se é,

espelhados rizomas de outros rizomas,

que se é.


A vida, assim é:

como o rizoma, incerta é.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tessitura Poética

Oníricos versos



Larguei-me entre os lençóis:

lá ficou meu corpo em aconchego.

A alma,

recusou-se a pousar nas tramas,

desfez-se das urdiduras materiais,

e voou,

voou,

talvez,

para o mundo infinito dos sonhos.

Saberia ela,

a alma,

mais que o corpo,

onde buscar a felicidade?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Tessitura Poética

Faça-se


Estrato do juízo se Deus,

– emprestadas as sutilezas

teológicas,

e o amparo escolástico –

é o véu da distinção real

do planetário conteúdo

e da sublimada expressão.


Advento da causalidade,

rigor nas formas todas

tal qual expressão macroscópica

de todo cristal,

ou na microscópica molecular

e molar da revelação vital.


Distinções formais,

variadas e reais,

da causalidade o fato;

e toda distribuição

seja do conteúdo,

seja da expressão,

eis a natureza da distinção

que transmuda o orgânico estrato

em lavor da criação.


Segmentaridade

linear,

unidimensional,

limiar nunca ocasional

do produto tonal

das cordas cósmicas

obreiras da assunção vital,

pelo conteúdo

que independe da expressão,

lavor da geração,

do poder e da dominação.


E tudo, tudo...

é originado do pó,

no momento crucial do: - Faça-se.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Tessitura Poética

Infame falência


E, Sim!
E morre-se na praia
de toda uma existência
vivida em nebulosa procura.

Ao longe, às costas,
o tênue brilho do sol de todos os orientes,
que percorremos.
Por marco de uma chegada
nunca alcançada, o frio granito
sobre o qual se inscrevem
os esboços de todos os epitáfios
sussurrados em preces,
em juras de amor,
ou em soluços de dor.

E as mortais travessias,
talvez
resultem na estéril lápide
de um jazigo frio,
vazio,
pois ao pó
toda vivência se reduz.

A quê procurar,
a quê encontrar,
se o vil engodo se oculta no sórdido
monismo avesso ao pluralismo,
que somos,
justo onde não medra a nossa
busca inglória,
pois que jazemos frios
entre a Luz e a treva,
entre a Paz e a agonia terminal.

E morre-se na praia,
em infame falência.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tessitura Poética

Marejar no Tempo


Há gozo na dor?
Se há... que sei eu?

Apenas minha’lma
Mareja... oscila
Nas ondas do tempo, na espera.

Enquanto marejam
As dores pequenas –
Gotas no mar do tempo –
A dura peleja!

Dor no gozo!
Que há! Bem o sei!
Que marejo no tempo, à espera
De aportar-me em ti...
Destino meu!