segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tessitura Poética

Estarás no devir?


Devir:

navalha do tempo,

ceifa inclemente da colheita,

e da vida

as melhores oferendas traz,

também os horrores.


Por certo,

mesmo,

há as incertezas,

e o angustiante correr das horas.


Estará no devir

o possível encontro contigo,

amor sonhado?

Ou,

haverá o horror perene dos desencontros

no ceifante deslizar das horas?


Devir!

Oráculo das incertezas,

e guardião dos perdidos amores,

ante ao qual debruçam os temores

de jamais ter-te como oferenda,

sonhado amor,

perdido que estás

nos meandros de todos os desencontros.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Tessitura Poética

Paradoxos

Parecemos loucos,
e não o somos:
veja-se os sonhos.

Somos loucos,
e não parecemos:
veja-se a vida.

Tudo,
a um fio do pesadelo,
e da loucura.

O pesadelo,
a loucura,
é jamais nada possuir de si.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Tessitura Poética

Transitoriedades


Efeméridas.

Por quê?

Qual a razão alada,

a neura predadora

para um só dia?


Cinzas tornadas vida,

signos da lembrança

de que também efeméridas somos,

e poeira redundante

que se faz em vida,

no temporal

e frágil oscilar das horas.


E tudo é efêmero.

Mesmo as juras do amor eterno,

que esmaecem ao final de um só dia.

sábado, 20 de março de 2010

Tessitura Poética

Ofuscamentos


A nudeza exposta do teu rosto,

antes do fascínio,

desconcerta.

Oposta à castidade,

a perturbadora presença.


Traveste-se,

indisfarçada, na revelação

dos panos carnais

da sedução

martirizante.


O teu rosto

cega a vontade,

subjuga um tempo de amar,

traz padecimento

por paixão.


Tudo, no teu rosto,

Amor.

Consumação de irrevelados mistérios,

ou, de possibilidades?

E nada de transparências.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Tessitura Poética

Silêncio


Nada ouvir.
Nada!
Sentir na alma,
dor e nostalgia.

É tua ausência,
que faz no silêncio
o pensar de saudade
na tarde em agonia.

No silêncio,
geme a alma
de dor tão certa
de sentir-te longe.

A tarde, vai!
A noite, vem.
O silêncio cai.
Dói a alma.

Há o gemido profundo
que clama e chama.
Arde o amor infecundo.
A alma inflama.

Silêncio!
O querer-te... ouvir-te.
Sofrer na alma
a melancolia.


No silêncio...
profundo,
quase morrer
de amor que dou a ti.

terça-feira, 9 de março de 2010

Tessitura Poética

O nada e você


Estonteante singularidade essa,

a de todas as incertezas.

Assim como frágeis são

as certezas

no estridente quebrar

constante da existência.


O mesmo se dará com o amor?

Entidade subjetiva,

e singular,

frágil dependente,

suspenso que é entre a razão

e o ardor de fugaz paixão.


No amor há as incertezas,

teorias de abandonos,

suspirantes pulsares,

e também ardores singulares.

E há as incertezas.

Amo você.


Você me amará?

Nada. Nada.

Somente as incertezas.