sábado, 17 de abril de 2010

Tessitura Poética

Para além do tempo

Deslizamos
rumo ao temporal
e negro cósmico,
em manifesta gestação
sob o malho constante
do tique-taque
angustiante,
quando viver é estar incessante
sob o peso
e o rigor
do martelo da demolição.

E deslizamos no tempo,
mortais
como o são as horas.
No entanto,
somos eternos
no espírito
e na matéria,
reféns do lampejo vital e torturante:
o que haverá além do tempo?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tessitura Poética

Bipolaridade no Amor

Subjetivo,
o amor é perfeito,
vivido nas almas.

Todavia,
há as imperfeições
nas singularidades;
há as dualidades
contidas na unicidade do ser.

Há as loucuras:
de amar,
de pensar-se amado,
e ser preterido.

Há dualidades
nas singularidades,
se há o amor
que ama a outro amor.

Há as singularidades,
e há as dualidades,
no ato simples de amar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tessitura Poética

Estarás no devir?


Devir:

navalha do tempo,

ceifa inclemente da colheita,

e da vida

as melhores oferendas traz,

também os horrores.


Por certo,

mesmo,

há as incertezas,

e o angustiante correr das horas.


Estará no devir

o possível encontro contigo,

amor sonhado?

Ou,

haverá o horror perene dos desencontros

no ceifante deslizar das horas?


Devir!

Oráculo das incertezas,

e guardião dos perdidos amores,

ante ao qual debruçam os temores

de jamais ter-te como oferenda,

sonhado amor,

perdido que estás

nos meandros de todos os desencontros.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Tessitura Poética

Paradoxos

Parecemos loucos,
e não o somos:
veja-se os sonhos.

Somos loucos,
e não parecemos:
veja-se a vida.

Tudo,
a um fio do pesadelo,
e da loucura.

O pesadelo,
a loucura,
é jamais nada possuir de si.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Tessitura Poética

Transitoriedades


Efeméridas.

Por quê?

Qual a razão alada,

a neura predadora

para um só dia?


Cinzas tornadas vida,

signos da lembrança

de que também efeméridas somos,

e poeira redundante

que se faz em vida,

no temporal

e frágil oscilar das horas.


E tudo é efêmero.

Mesmo as juras do amor eterno,

que esmaecem ao final de um só dia.

sábado, 20 de março de 2010

Tessitura Poética

Ofuscamentos


A nudeza exposta do teu rosto,

antes do fascínio,

desconcerta.

Oposta à castidade,

a perturbadora presença.


Traveste-se,

indisfarçada, na revelação

dos panos carnais

da sedução

martirizante.


O teu rosto

cega a vontade,

subjuga um tempo de amar,

traz padecimento

por paixão.


Tudo, no teu rosto,

Amor.

Consumação de irrevelados mistérios,

ou, de possibilidades?

E nada de transparências.