quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tessitura Poética

No gume do calafrio

Vertigem,
extrato
entre a instabilidade
e o medo.

A vertigem,
doença das almas
desesperançadas,
desesperadas,
na rota das fugas
da ruína química
e orgânica.

Em tudo há a vertigem!
Nas fronteiras da perdição,
a vida marginal
das possibilidades
na perturbadora
fragilidade das crenças.

E tudo beira ao calafrio
na espuma do substrato social.

sábado, 15 de maio de 2010

Tessitura Poética

Talvez

Talvez o amor
aconteça
por aprendizado.

Acontecimento por ensejo,
ou substância da razão,
estrangeiro ao rodízio
da sorte,
e da fortuna.

Talvez,
talvez o amor
seja quimera oportuna.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tessitura Poética

Sazão e Razão

Insanos somos,
na pira da ardência
que nos consome.
Deliciosa.
Ao mesmo tempo,
torturante ardência
que se quer em constante erupção
consumida na efêmera existência.

Loucos insanos somos
na pira da constância
da volúpia e da paixão.
E corpórea maturação
de transcendente substância
em perene sazão.

E há a razão:
mortalha pétrea
da poética criação.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tessitura Poética

Tudo acontece nas horas

Pêndulos
na existência incerta dos sonhos.
Oscilações na busca inquietante
de oníricos mundos,
cujo horizonte se desmancha
em caminhos também incertos
que levam a ter outros sonhos,
e sonhos com o amor.
Sempre o amor:
longínquo,
desesperado,
e perdido amor.

Tanto!
Que o amor aparenta ser
o próprio sonho:
intocado,
e intocável.
Essência suave dos anjos,
loucura ou terror das trevas,
que nos consome,
como consumidas são as horas.

Continuamos pêndulos,
decalques singulares e estanques,
rascantes,
na dolorida perdição
entre amor e paixão.
Sonhos!
Meros sonhos
travestidos em desilusão.

Nas horas
o amor se consome.

sábado, 17 de abril de 2010

Tessitura Poética

Para além do tempo

Deslizamos
rumo ao temporal
e negro cósmico,
em manifesta gestação
sob o malho constante
do tique-taque
angustiante,
quando viver é estar incessante
sob o peso
e o rigor
do martelo da demolição.

E deslizamos no tempo,
mortais
como o são as horas.
No entanto,
somos eternos
no espírito
e na matéria,
reféns do lampejo vital e torturante:
o que haverá além do tempo?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tessitura Poética

Bipolaridade no Amor

Subjetivo,
o amor é perfeito,
vivido nas almas.

Todavia,
há as imperfeições
nas singularidades;
há as dualidades
contidas na unicidade do ser.

Há as loucuras:
de amar,
de pensar-se amado,
e ser preterido.

Há dualidades
nas singularidades,
se há o amor
que ama a outro amor.

Há as singularidades,
e há as dualidades,
no ato simples de amar.