quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tessitura Poética

Pó e seixos

O tempo,
indiferente e pegajoso,
quase maldito no seu desdém pela minha mortalidade.

Desliza, o tempo,
como o rio ácido que corrói minha carne, meus ossos,
e desfaz em pó os meus sonhos.

É uma canalhice o tempo ser sempre novo
quando tudo o mais em mim se faz velho,
e no seu leito de ácido volátil,
nada mais deixa que pó e seixos de vidas terminadas,
e por mim com ânsias vividas.

Entre os pós e os seixos estão os meus sonhos,
os meus desejos de beijar teus lábios,
os teus seios,
sugar tuas seivas carnais,
em gozos mortais para tudo o mais;
se o tempo tivesse me dado:
o tempo de ter-te nos meus braços de amante,
e você, minha mulher...
o tempo passou como um rio.

O tempo, como um rio, passou.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Tessitura Poética

Para sempre

Medos e desejos,
espectros nas sombras
das existências,
e tudo remonta a segredos
sob a mortalha fria do tempo
e nos abissais desesperos.

Nas franjas cerebrais,
o abismo límbico do engodo,
e a encruzilhada
do céu e do inferno.

Nada.
E nada,
apesar de todo acontecimento.

O vazio.
Para sempre, o vazio.
E os medos,
e os desejos,
espectros e sombras e,
para sempre,
o desespero.

sábado, 14 de agosto de 2010

Tessitura Poética

Imortais


Realidade: dura ilusão.

Tanta,

que incontáveis são

as verdades dela copiadas.


A realidade é reiterante,

travestida e mutante.

Já a verdade,

é mortal mesmo na fonte.


No entanto,

de tudo e em tudo,

há a sedução da Luz e do Amor,

dicotomias eternas geminadas

que florescem além das

verdades e realidades,

como sazão do princípio e do fim.


A Luz e o Amor,

são reais

e imortais.

domingo, 18 de julho de 2010

Tessitura Poética

Verbos


Somos, irmão,

coisa única

com tudo o mais que há.


O Deus criador,

perguntado seu nome,

disse ser Aquele que É.


O humano Ser,

nada mais será

que verbo de mesma grafia.


Compreender isso

é humana,

e eterna, porfia.


Eu sou

Tu és

Ele é

sábado, 10 de julho de 2010

Tessitura Poética

Acontecimento


O homem,

o Ser,

acontece na Luz que se faz de lampejos;

e acontece no tempo,

perdição entre a penumbra passada

que se faz sombra,

e o devir.

Eternos.


Na luz,

o que se vê

são projeções no espelho,

teatro imagético

feito de signos de existências.


A Bondade,

a Impulsão,

o Desejo,

e tudo o mais,

fragmenta-se no fio cortante do presente.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Tessitura Poética

Cidadelas em conflito

Assim é o Ser.
Singularidade em porfia.
Oscilação no medo de ter e perder,
e refém perene da dicotomia
na espiral circularizante
do desejo e necessidade.

No centro de tudo,
o estoque do medo
e do segredo,
perdição extrema
entre compulsão
e obsessão,
causa e efeito do eterno degredo.

No entanto,
da teia e do enredo,
qual o fio salvador estendido?