Ontem, 28 de abril de 2006, exatamente às 20 horas, expirou, inexoravelmente, o prazo legal para nós, brasileiros, entregar-mos a Declaração de Rendas, ao Governo.
Calma! Estou pensando!!!
Bem... Dizem os entendidos que você tem que regurgitar as coisas que te apertam na garganta, e no resto do que somos nós. Então, vamos lá.
Minha primeira declaração, eu a fiz de próprio punho (lindo isso!), isto é, manuscrita, em duas vias, usando obviamente um papel carbono. Esta cópia, e todas as outras mais dos anos seguintes, ficavam comigo, junto com os comprovantes. A primeira nasceu em 1973. Faz tempo, né?
Apesar dos tempos, "quentes" sob o ponto de vista político, foram tempos bons da minha vida. Eu crescia profissionalmente, tanto que o IMPOSTO, pesado, era descontado na fonte. (E pensar que fonte me lembra um lugar onde mina água). Então, eu fazia a declaração, usava todos os direitos (de forma direita) de acumular o máximo das deduções e, no fechar das contas recebia algo chamado de Restituição. Claro, a maior e melhor parte do filé ficava com "eles". Não é à-toa que o melhor ícone criado para representar esse fato é a figura gorda de um leão, sempre com cara de poucos amigos. (Depois, e já naqueles tempos, a gente sabia que ele (o leão) tinha, e muitos, "parceiros" com os quais dividia bocados bons do nosso suado filé.
Não era por bobeira não, era por um sentimento sincero de brasilidade, que eu ficava um tanto orgulhoso por contribuir: O Brasil era um país que prometia se tornar um dos melhores do mundo. Até mesmo no futebol. Eu trabalhava numa multinacional, no setor Administrativo/Contábil. Por esse motivo, e pelo fato de ler muito a respeito de muitas outras coisas, eu sabia que, além do IR, eu, isto é, nós, pagávamos uma carga imensa de tributos para sermos o que éramos, e cumprir as promessas do que seríamos.
Concordemos! O Brasil, hoje, pudera, é muito diferente do Brasil de 33 anos atrás. Temos até auto-suficiência quanto ao petróleo, nos dizem.
Uma coisa não mudou. Mesmo nos contextos daquelas épocas, eu sabia, aliás, sabíamos que haviam muitos "parceiros" (do leão) que se refestelavam nos banquetes cujo menu constava uma única iguaria, cara pra burro: nossos impostos.
Hoje... bem... hoje os tempos já são outros. No correr da nossa história, ocorreu um fato, uma coisa, à qual todos chamam de "abertura". De fato, há mais transparência no modo como chegamos ao conhecimento das coisas.
Por outro lado, acuda-nos Deus, a tal de "abertura" se tornou um bicho feio e enorme, ao qual podemos, sem medo de errar, chamar de "escancaramento". Sim! isso denota um excesso de abertura através da qual os
nossos suados IMPOSTOS são descaradamente roubados. E ainda querem nos fazer de inbecis, ao renomearem isso de "desvio de verbas". E não nos enganemos não, gente, não se tratam de urubus e hienas disputando restos de carcaças. É gente esperta que mete a mão no filé fresquinho que sai do nosso bolso a todo instante!
Naqueles tempos, mais novo, eu sentia orgulho em ser Contribuinte. Hoje, bem, hoje eu me sinto
um CONTRIBUINTE... .... ... ...
Poxa! Compreendam! Eu me dou o direito de não colocar Complementos Nominais e nem Adjetivos no lugar das reticências! Poxa! Eu tenho o direito de sentir vergonha! Respeitem isso, tá legal?! Obrigado!!!
sábado, 29 de abril de 2006
Pfu!!!
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efvilha
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sábado, abril 29, 2006
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sexta-feira, 28 de abril de 2006
Tessitura sobre tela
Flamingo (2002)
Olhe a pose.
Para alguém que estava com a alma pedindo para construir uma poesia, veio a resposta para escrevê-la com as formas de um flamingo, na textura, nos matizes e nos tons do "tudo rosa", sobre um fundo escuro.
Talvez, se tivesse construído a poesia, (não me lembro do estado de alma naquele dia), os tons rosa não apareceriam.
Olhe para esse flamingo.
veja-o como uma poesia
escrita com as cores de um flamingo.
Porque, se fossem palavras,
que tons será que elas teriam?
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efvilha
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sexta-feira, abril 28, 2006
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Acho que fui enganado!
Agora a pouco acabei de tomar o café matinal.
Durante, notei que na tampa da embalagem da margarina estava escrito: Nova Delícia Mila.
Logo abaixo, em vermelho tal qual a "Nova", estava escrito: Sabor Original.
Sei não! Assim que acabei de comer o pão com essa dita margarina, o que senti,
mesmo, foi um... Sabor Final.
Acho que me enganaram!
O sabor, bem, tanto o inicial quanto o final, era um sabor igual ao de margarina, sem um nadinha de algo parecido com "original". Eles me avisaram, na mesma tampa, que era margarina.
Então... fui eu que me enganei?
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efvilha
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sexta-feira, abril 28, 2006
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quinta-feira, 27 de abril de 2006
Coisas da minha cidade!
Isso acontece também na tua?
Aqui, a notícia da morte de alguém é anunciada aos quatro ventos pelas badaladas dos sinos das duas igrejas predominantes: a católica e a de confissão luterana. Esta, bem perto da minha casa.
Hoje, deve ter morrido algum católico. As badaladas vieram de lá. Não é todo dia que acontece isso, não. Se você vier nos visitar, e vier pela rodovia no sentido leste/oeste, na entrada da cidade você se deparará com um portal não muito imponente. Mas lá, em letras bem grandes, está escrito: "Capital da longevidade". Talvez seja por isso que badalam os sinos; a morte de alguém, aqui, é pura novidade!!!
Cidade pequena, e todo mundo ouve as badaladas espaçadas, lúgrubes.
Uma para cada ano vivido pelo morto, creio eu, pois algumas são mais curtas, outras mais demoradas, sempre no mesmo ritmo. Blom... Blom... Blom... Nunca me ocupei em contá-las. Aproveito esse tempo para pensar e fazer outras coisas, pois, o que me interessa, mesmo, é a vida.
Ah! Ia me esquecendo. Quando faleceu o Papa João Paulo II, foi uma hora inteira de badalação. No meio daquelas que fizeram blim... blom - por meia hora cada - vieram os "blons", um para cada ano que ele viveu. Não contei. Pelo que ele fez, pelo que ele foi, poderiam muito bem passar de mil que eu aplaudiria.
São coisas desta minha cidade pequena. E sei que, se não fossem as badaladas, todo mundo ia mesmo ficar sabendo que alguém foi desta para uma melhor...
Sei lá! Depende da vida que o morto levou, não é?
É tão incerto o que acontece do outro lado. Brrrrrrrrrr!
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efvilha
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quinta-feira, abril 27, 2006
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segunda-feira, 24 de abril de 2006
Tessituras sobre tela
Alegorias de Angola III (2002)
Natureza e homem, juntos! a construir um devir de liberdade. Um povo, representado por suas mulheres, busca reescrever a História de uma nação tanto tempo subjugada por um colonializmo opressor. 
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efvilha
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segunda-feira, abril 24, 2006
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Penha
Estendido sobre teu dorso suave,
contemplo as estrelas.
Afaga-me a relva macia,
aquece-me o hálito morno da brisa.
Gira o firmamento.
Sucede o sol às estrelas.
Brumas brancas,
intumescidos relevos.
Respiras,
transpiras,
sob o tórrido sol.
Estendido sobre teu dorso suave,
contemplo o astro-rei.
Revolvo a relva macia.
Um hálito novo, se eleva.
Despertas!
Revoltas madeixas.
E ouço o canto,
o rumor das ondas.
O gozo, ... o êxtase
da Vida em cio.
Penha!
Estendido sobre teu dorso suave,
adormeço e sonho:
seres tu... pedra inculta,
- sob a tormenta-
o refúgio desta alma que te canta.
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efvilha
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segunda-feira, abril 24, 2006
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