quinta-feira, 3 de junho de 2010

Tessitura Poética

Viver no teu nome

O que mais falar do amor?
Tanto disseram o poeta e o amante,
que tudo o que eu diga
vazio será de importância,
nada mais será que redundância.

Disse o poeta cancioneiro
quão grande é o amor verdadeiro.
Outro, ser o amor eterno porquanto dure.
E outro, ainda, de maior idade,
do amor falou da contrariedade.

De tudo isso tenho ciência,
e de que o amor que me consome
nas intensidades do teu nome,
travestido é nos segundos da existência.

O que mais falar do amor?
Pois que é dor e contentamento e,
do meu viver o testamento
que é de ti o meu favor.

sábado, 29 de maio de 2010

Tessitura Poética

Reiterações

Desencantos...
nem sempre fugazes,
pois que duradouros,
e reiterantes são.
Linha de fuga de toda existência.
E perduram os desencantos,
e reiterantes
nos casos de amor.


Em quantas almas brotam
estes mesmos lamentos?
Reiterantes
são os tormentos.
Os desencantos.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tessitura Poética

No gume do calafrio

Vertigem,
extrato
entre a instabilidade
e o medo.

A vertigem,
doença das almas
desesperançadas,
desesperadas,
na rota das fugas
da ruína química
e orgânica.

Em tudo há a vertigem!
Nas fronteiras da perdição,
a vida marginal
das possibilidades
na perturbadora
fragilidade das crenças.

E tudo beira ao calafrio
na espuma do substrato social.

sábado, 15 de maio de 2010

Tessitura Poética

Talvez

Talvez o amor
aconteça
por aprendizado.

Acontecimento por ensejo,
ou substância da razão,
estrangeiro ao rodízio
da sorte,
e da fortuna.

Talvez,
talvez o amor
seja quimera oportuna.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tessitura Poética

Sazão e Razão

Insanos somos,
na pira da ardência
que nos consome.
Deliciosa.
Ao mesmo tempo,
torturante ardência
que se quer em constante erupção
consumida na efêmera existência.

Loucos insanos somos
na pira da constância
da volúpia e da paixão.
E corpórea maturação
de transcendente substância
em perene sazão.

E há a razão:
mortalha pétrea
da poética criação.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tessitura Poética

Tudo acontece nas horas

Pêndulos
na existência incerta dos sonhos.
Oscilações na busca inquietante
de oníricos mundos,
cujo horizonte se desmancha
em caminhos também incertos
que levam a ter outros sonhos,
e sonhos com o amor.
Sempre o amor:
longínquo,
desesperado,
e perdido amor.

Tanto!
Que o amor aparenta ser
o próprio sonho:
intocado,
e intocável.
Essência suave dos anjos,
loucura ou terror das trevas,
que nos consome,
como consumidas são as horas.

Continuamos pêndulos,
decalques singulares e estanques,
rascantes,
na dolorida perdição
entre amor e paixão.
Sonhos!
Meros sonhos
travestidos em desilusão.

Nas horas
o amor se consome.