terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tessitura Poética

Dama da Noite



Vestida de branco,

acolhe o cálido beijo

da brisa da noite.


Despudorada,

exibe-se ao olhar de encanto,

e cobiça.


Expõe-se à carícia,

ao revelado clique de um momento,

no cárcere da eternidade

dilacerada em fragmento.


Dama,

sensual e bela

na fugaz existência,

alheia, talvez,

à iminente falência

refém do dia.


Morre,

antes mesmo que este principia.

sábado, 28 de novembro de 2009

Tessitura Poética

Essência humana

O que tiver que ser,
será, talvez.
Frustradas esperanças objetivas,
mil vezes mil superadas
as negativas, talvez.
Anti-modelo estrutural,
ou gerativo,
estranho ao eixo genético
onde a armadura mental profunda
não abunda, talvez.
Pivotante unidade objetiva,
sucessividade celular fecunda,
unicidade ultra-dimensional,
transformacional e subjetiva.

Essa a cadeia humana,
tanto a sadia quanto a insana,
liberta da binaridade
arborescente do
decalque reprodutivo ao infinito,
substância corpórea que não é granito,
por este velado e revelado,
porém,
no derradeiro instante do réquiem.

Mapa-rizoma
a que tudo se soma,
essa a essência humana.
Homem-mapa-aberto
conectável
reversível
desmontável
transformável constante,
mutável na perfídia psicanálise.
Mapa-rizoma no uno,
porém,
pivotante grupal e social.

Do redundante perigo decalque,
se libera, e
dos impasses bloqueios
de todos enganosos esteios.
Da vergonha,
da culpa,
da fobia,
liberta-se pela porfia,
talvez.

Não subserviente ao
desmoronamento,
buraco negro
do rizoma fechado,
arborificado e...
morto,
enfim.
Antes, às impulsões exteriores
o desejo fomenta,
e outras às produtivas,
acrescenta.

Rizomorfo Ser,
se estendidas as ramas,
e as tramas
do pensamento,
e das sinapses da
urdidura cerebral,
nunca um produto final;
talvez?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tessitura Poética

Cantigas da alma


Quão estranha

Essa teimosia

Que me vem

Da alma.


Resistir é preciso?

O que dita-me o siso?


Desnudar-me

Na poesia.

Dói!... ou alivia?


- Não importa o alívio.

- Não importa a dor.


Apenas canta

Alma de sonhador

O teu canto triste

Teu canto... a tua dor.


Atuar é preciso?

O que diz-me o siso?


Fazer poesia.

Cantar!

Alivia!... ou dói?


- Que importa a dor

- Que importa o alívio?


Apenas cante

Alma de cantor

o teu pranto triste,

Teu pranto... a tua dor.

sábado, 7 de novembro de 2009

Tessitura Poética

Torvelinhos


Busco respostas
às inquietudes da alma.

Paro.
Refaço caminhos.
Duvido nas encruzilhadas.
Tropeço nos mesmos embaraços.
Verto as mesmas lágrimas.
Sorrio os mesmos sorrisos.

Creio mais.
Pergunto mais.

E,
Revejo amigos.
Revivo momentos de amores.
Rubram-me as faces nas mesmas paixões.
Canto velhas canções.
Grita meu peito, repetidos gritos.

Convenço-me menos.
Vejo mais.

Tudo me apraz...
ou dói... Mas,
o que mais dói, sempre,
são os arrependimentos.
Poucos.
Marcos que são,
dos caminhos tortos que trilhei.

Busco respostas.
As inquietações na alma.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Tessitura Poética

Ritornelos


A ti, Terra Mãe,
Elevo meus cantos...
Ou serão meus gritos?

Serão, em princípio,
Elevados gritos
Que ecoam no
Espaço-tempo,
Ritornelos do meu
Próprio canto?

Territoriais,
Mortais,
Meus cantos-gritos.

Gritos ou cantos:
Universais paralelos,
Os territórios de encantos
Que dão morte ao consciente,
Ritornelos mortais ao inconsciente, e
Por fim, platôs de angústias,
De sofrimentos.

Territoriais,
Mortais,
Meus cantos-gritos.

Da alma – pássaros cósmicos –
Os apelos aflitos,
Desterritorializantes,
Meus cantos, meus gritos,
Apelos à morte,
Da morte reféns.
Meus cantos.
Meus gritos.

A ti, Terra Mãe,
Elevo meus cantos...
Ou serão meus gritos?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tessitura poética

Moeda


Uma só.
As duas faces, irmãs.
De um lado, o Bem.
Do outro, o Mal.

No crucial momento
da concepção,
nasce também o portento
continuado da criação:
a moeda perenemente lançada ao ar,
no mesmo ar que se respira.

No entanto,
qual mão se estende para a acolha?
Pairando entre a sorte e a escolha,
mão alguma é estendida.
Não há inocência perdida,
entre vontade e Razão.

Tudo é sazão;
manifesto desejo
e circunstanciada ação
nas sinapses neuronais em lampejo.

O Bem e o Mal
germinam do mesmo pó cerebral.