Infame falência
E, Sim!
E morre-se na praia
de toda uma existência
vivida em nebulosa procura.
Ao longe, às costas,
o tênue brilho do sol de todos os orientes,
que percorremos.
Por marco de uma chegada
nunca alcançada, o frio granito
sobre o qual se inscrevem
os esboços de todos os epitáfios
sussurrados em preces,
em juras de amor,
ou em soluços de dor.
E as mortais travessias,
talvez
resultem na estéril lápide
de um jazigo frio,
vazio,
pois ao pó
toda vivência se reduz.
A quê procurar,
a quê encontrar,
se o vil engodo se oculta no sórdido
monismo avesso ao pluralismo,
que somos,
justo onde não medra a nossa
busca inglória,
pois que jazemos frios
entre a Luz e a treva,
entre a Paz e a agonia terminal.
E morre-se na praia,
em infame falência.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Tessitura Poética
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Tessitura Poética
Marejar no Tempo
Há gozo na dor?
Se há... que sei eu?
Apenas minha’lma
Mareja... oscila
Nas ondas do tempo, na espera.
Enquanto marejam
As dores pequenas –
Gotas no mar do tempo –
A dura peleja!
Dor no gozo!
Que há! Bem o sei!
Que marejo no tempo, à espera
De aportar-me em ti...
Destino meu!
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Tessitura Poética
Dama da Noite
Vestida de branco,
acolhe o cálido beijo
da brisa da noite.
Despudorada,
exibe-se ao olhar de encanto,
e cobiça.
Expõe-se à carícia,
ao revelado clique de um momento,
no cárcere da eternidade
dilacerada em fragmento.
Dama,
sensual e bela
na fugaz existência,
alheia, talvez,
à iminente falência
refém do dia.
Morre,
antes mesmo que este principia.
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sábado, 28 de novembro de 2009
Tessitura Poética
Essência humana
O que tiver que ser,
será, talvez.
Frustradas esperanças objetivas,
mil vezes mil superadas
as negativas, talvez.
Anti-modelo estrutural,
ou gerativo,
estranho ao eixo genético
onde a armadura mental profunda
não abunda, talvez.
Pivotante unidade objetiva,
sucessividade celular fecunda,
unicidade ultra-dimensional,
transformacional e subjetiva.
Essa a cadeia humana,
tanto a sadia quanto a insana,
liberta da binaridade
arborescente do
decalque reprodutivo ao infinito,
substância corpórea que não é granito,
por este velado e revelado,
porém,
no derradeiro instante do réquiem.
Mapa-rizoma
a que tudo se soma,
essa a essência humana.
Homem-mapa-aberto
conectável
reversível
desmontável
transformável constante,
mutável na perfídia psicanálise.
Mapa-rizoma no uno,
porém,
pivotante grupal e social.
Do redundante perigo decalque,
se libera, e
dos impasses bloqueios
de todos enganosos esteios.
Da vergonha,
da culpa,
da fobia,
liberta-se pela porfia,
talvez.
Não subserviente ao
desmoronamento,
buraco negro
do rizoma fechado,
arborificado e...
morto,
enfim.
Antes, às impulsões exteriores
o desejo fomenta,
e outras às produtivas,
acrescenta.
Rizomorfo Ser,
se estendidas as ramas,
e as tramas
do pensamento,
e das sinapses da
urdidura cerebral,
nunca um produto final;
talvez?
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Tessitura Poética
Cantigas da alma
Quão estranha
Essa teimosia
Que me vem
Da alma.
Resistir é preciso?
O que dita-me o siso?
Desnudar-me
Na poesia.
Dói!... ou alivia?
- Não importa o alívio.
- Não importa a dor.
Apenas canta
Alma de sonhador
O teu canto triste
Teu canto... a tua dor.
Atuar é preciso?
O que diz-me o siso?
Fazer poesia.
Cantar!
Alivia!... ou dói?
- Que importa a dor
- Que importa o alívio?
Apenas cante
Alma de cantor
o teu pranto triste,
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sábado, 7 de novembro de 2009
Tessitura Poética
Torvelinhos
Busco respostas
às inquietudes da alma.
Paro.
Refaço caminhos.
Duvido nas encruzilhadas.
Tropeço nos mesmos embaraços.
Verto as mesmas lágrimas.
Sorrio os mesmos sorrisos.
Creio mais.
Pergunto mais.
E,
Revejo amigos.
Revivo momentos de amores.
Rubram-me as faces nas mesmas paixões.
Canto velhas canções.
Grita meu peito, repetidos gritos.
Convenço-me menos.
Vejo mais.
Tudo me apraz...
ou dói... Mas,
o que mais dói, sempre,
são os arrependimentos.
Poucos.
Marcos que são,
dos caminhos tortos que trilhei.
Busco respostas.
As inquietações na alma.
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sábado, novembro 07, 2009
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